28 de novembro de 2016

Dinheiro da campanha de Dilma pagou funcionários de Temer, diz jornal

dilma temer

A campanha presidencial de Dilma Rousseff (PT) em 2014 pagou o salário de assessores pessoais de Michel Temer (PMDB), vice na chapa e atual presidente da República. As informações são do jornal Folha de São Paulo.

De acordo com o jornal, comprovantes de depósitos e recibos apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que a chefe de gabinete de Temer, dois assessores de imprensa e o assessor jurídico receberam, juntos, R$ 543 mil de julho a outubro de 2014.

Os fatos vão de encontro à defesa do peemedebista nas ações que investigam irregularidades na campanha. Ele alega que as contas com Dilma são separadas e que ele não poderia ser responsabilizado por infrações da petista.

A atual chefe de gabinete da Presidência, Nara de Deus Vieira, recebeu R$ 164,2 mil nesse período. O salário mensal, de R$ 41 mil, foi pago pela campanha de Dilma, apesar de ela ser a responsável pela movimentação e abertura da conta em nome de Temer.

Márcio de Freitas Gomes, atual secretário de comunicação da Presidência, recebeu R$ 109 mil transferidos da conta da campanha da petista, sendo R$ 27,3 mil mensais. Outro assessor de imprensa de Temer, Bernardo Gustavo recebeu o mesmo valor.

Já o então assessor jurídico do peemedebista, Hercules Fajoses recebeu R$ 160 mil como consultor da campanha de ex-presidente na área.

Responsável pela defesa de Temer, o advogado Bonini Guedes entrou com uma petição em abril no TSE solicitando a "separação das responsabilidades entre titular e vice, o que é perfeitamente possível no caso, diante da movimentação distinta de recursos".

No mês seguinte, o vice-procurador-geral eleitoral, Nicolao Dino, se manifestou contra o pedido de Temer. O tribunal ainda não respondeu à solicitação.

A expectativa é que o processo seja julgado no primeiro trimestre de 2017. O PSDB pede, em três ações, a impugnação da chapa Dilma/Temer por abuso de poder político e econômico nas eleições.

À Folha, o atual secretário de Comunicação da Presidência, Márcio de Freitas, afirmou que "a estratégia da defesa [de Michel Temer] sempre foi baseada na separação da arrecadação, não na separação dos gastos". Ele disse ainda que cabe ao TSE dizer se o dinheiro era ilegal.

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