13 de junho de 2016

Chef lembra assédio na infância e violência de ex aos 21: 'Bateu a noite toda'


"Meu primeiro contato com este tipo de violência foi aos 12 anos. Estava numa sorveteria e vi umas bicicletas de arame no balcão. Encantei-me por elas e o dono do local me disse que havia várias no estoque.

Fui com ele para pegar uma e ele pediu para eu subir em uns engradados para que meu quadril ficasse na altura do quadril de pele e não percebi isso, afinal eu era uma criança e só queria ganhar uma bicicleta de brinquedo.

Ele devia ter uns 50 e poucos anos. Eu, de costas, comecei a sentir um movimento atrás de mim. Era ele se esfregando em mim e começando a me bulinar. Gelei e saí dali correndo. Demorei anos para contar isso a alguém. A gente se sente muito envergonhada, acha que a culpa é nossa.

A segunda vez foi aos 21 anos. Um ex-namorado insistiu para vir em casa, já morava sozinha, porque queria conversar. Quando ele entrou, começou a me xingar e me bateu a noite inteira. Tirou minha roupa, tentou me penetrar e só não aconteceu o ato em si porque ele brochou.

Tentou me sufocar umas três vezes e desmaiei duas. Ele ficou cerca de sete horas dentro de casa me dando tapas e tentando fazer sexo. Ao final, tive que falar que o amava e estava tudo bem pra ele ir embora. Um grande azar é que a minha vizinha era surda e meu outro vizinho estava viajando, então ninguém ouviu nada, nem chamou a polícia.

Depois de dois dias é que tive coragem para ir à delegacia fazer exame de corpo delito. Demorei para ter essa coragem, é tudo muito difícil. Ele não foi preso e pagou a condenação com algumas cestas básicas e depois sumiu. Sempre fiz muita análise.Tudo isso me traumatizou. Na época, conversei com amigos em comum que falaram “melhor deixar para lá”. Hoje sou casada, sou feliz e participo de projetos contra a violência feminina, o http://mulheresmobilizadas.minhasampa.org.br/

Marie Claire 
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