28 de janeiro de 2016

Número de pessoas em tratamento contra HIV/aids aumenta 13% em um ano no Brasil

Rio de Janeiro - O Ministério da Saúde lança, na quadra da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, a campanha nacional de prevenção às DST/Aids com foco no carnaval (Tânia Rêgo/Agência Brasil)
"Dá vergonha comprar"

O Brasil tinha 81 mil pessoas tomando antirretrovirais no ano passado, 13% a mais do que em 2014. Os dados foram apresentados hoje (28) pelo Ministério da Saúde no lançamento da Campanha Nacional de Prevenção à DST/Aids para o Carnaval 2016, na quadra da Escola de Samba da Mangueira.

Segundo o Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, antirretrovirais são medicamentos usados para impedir a multiplicação do vírus HIV no organismo. Eles não matam o vírus, causador da aids, mas ajudam a evitar o enfraquecimento do sistema imunológico.

Nos últimos seis anos, o número de pessoas em tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) praticamente dobrou, passando de 231 mil para 455 mil pessoas. O aumento da adesão aos medicamentos significa que a meta de supressão viral de 90% estipulada pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) foi alcançada. Hoje, 91% dos brasileiros adultos vivendo com HIV/aids, em tratamento há pelo menos seis meses, já apresentam carga viral indetectável no organismo.

No entanto, a prevenção continua sendo a maior arma contra o avanço da doença. Com investimento de R$ 14 milhões, a campanha deste ano tem o slogan "Deixe a Camisinha Entrar na Festa", com ênfase no uso do preservativo para prevenir doenças sexualmente transmissíveis.

O diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, Fábio Mesquita, explicou que, embora seja uma ferramenta fundamental na prevenção, a camisinha não é a única. "A estratégia hoje é a prevenção combinada. O teste periodicamente é muito importante, mas tem também a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), que chamamos carinhosamente de pílula dos 28 dias seguintes. Todas essas ações em conjunto é que nos ajudarão a controlar a epidemia de Aids."

A procura pela PEP aumentou muito desde que o acesso ficou mais fácil, em 2012. Mesquita ressaltou que o aumento não significa que as pessoas estejam substituindo a camisinha pelo tratamento. “A PEP é uma adição, não substitui a camisinha. São quatro comprimidos diferentes, é um medicamento pesado, que deve ser tomado por 28 dias, não é tarefa simples. Não há evidências, nem aqui, nem no restante do mundo, de que as pessoas façam substituição. A camisinha é muito mais simples", afirmou o médico.

Ele adiantou que, em breve, o aplicativo para celular da PEP, com orientações sobre o uso e os locais onde se pode adquirir o medicamento, estará também disponível no sistema iOS. Hoje já existe no Windows e no Android.

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