19 de dezembro de 2015

Jerusalém viverá Natal sem turistas por causa da violência


O turismo em Jerusalém Oriental é vítima da onda de violência que sacode a região: as ruas de pedra da Cidade Antiga estão desertas de turistas e os comerciantes esperam impotentes às portas de suas lojas por compradores que não chegam.
As ruas da cidade mantêm parte do movimento mas, entre os sons do caos e da desordem do colorido mercado imperam o hebraico e o árabe, os idiomas dos moradores locais, que se misturam com as chamadas do muezim para a reza muçulmana e os sinos das igrejas.
O habitual som de idiomas estrangeiros está mais ausente do que o normal nesta temporada.

Os viajantes desorientados que lutam por decifrar seus mapas ou os grupos de turistas que se movimentam em uníssono não estão presentes nestes dias nos labirínticos becos da cidade histórica, santa para as três principais religiões monoteístas.

"A situação aqui é muito, muito boa, mas não há nenhum turista", brincou ao falar com a Agência Efe Joe, responsável por uma lanchonete na porta de Jafa onde, como nos demais negócios, não há clientes.

Ele afirmou que é a primeira vez nos nove anos que está à frente do negócio familiar que há uma queda tão catastrófica no turismo. "Jerusalém está vazia", sentenciou.

O Natal, alta temporada na Terra Santa, está chegando, mas a ilusão de reviver a história em uma data tão significativa não é suficiente para animar os potenciais turistas que cancelaram suas viagens para esta região, para a qual os Estados Unidos emitiram recentemente uma advertência de segurança.

Os ministérios de Turismo palestino e israelense estão ainda cautelosos em divulgar números, mas concordam em calcular em pelo menos 10% a queda das visitas em comparação com o ano passado, que já foi ruim, afetado pela sangrenta operação militar israelense na Faixa de Gaza em julho e agosto.

Neste ano, a região vive desde outubro uma onda de violência, com uma série de ataques palestinos e confrontos com as forças israelenses, que alguns comparam com as intifadas e que já deixaram 126 palestinos, 18 israelenses e três pessoas de outras nacionalidades mortas.

"Mas também temos Síria, Turquia, Rússia... Isto faz com que os turistas tenham medo. Mesmo assim temos esperança, porque assim é Jerusalém", assegurou Joe, enquanto relembra as vezes em que a cidade foi atacada, cercada, destruída e renasceu de suas cinzas ao longo de sua história.

Dylan Dowlan é um dos poucos turistas que transitam por uma das artérias do bairro cristão, e os comerciantes disputam sua atenção.
Um sul-africano e sua namorada fazem parte de um tour religioso que percorre Israel e Palestina por dez dias, e garantiram não ter sentido o mínimo medo em suas várias paradas em Belém, Nazaré, na região do lago Tiberíades e Jerusalém.

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