17 de novembro de 2015

Samarco admite risco de rompimento nas barragens Santarém e Germano


Representantes da mineradora Samarco, cujos donos são a Vale e a anglo-australiana BHP, admitiram que há risco de rompimento nas barragens de Santarém e Germano – que ficam perto da que se rompeu no dia 5 de novembro, em Mariana, na Região Central de Minas Gerais.

Nesta terça-feira (17), o diretor de operações e infraestrutura da Samarco, Kléber Terra, disse em entrevista coletiva que o fator de segurança na barragem de Santarém é de 1,37 numa escala de 0 a 2, o que significaria uma estabilidade de 37%.

Na de Germano, o diretor afirmou que o dique Selinha – que é uma das estruturas – tem índice de 1,22, o menor em todo o complexo. A Samarco já havia informado que o fator de 1,00 significa que a estrutura está no seu limite de equilíbrio.
Barragem Germano é monitorada após rompimento da barragem do Fundão, em Mariana, na Região Central de Minas (Foto: Reprodução/TV Globo)
Ainda segundo Terra, estão sendo feitas obras emergenciais nas duas barragens. O diretor explica que blocos de rocha estão sendo colocados de cima para baixo, para reforçar a estrutura. Este procedimento deve durar cerca de 45 dias na barragem de Germano. Na de Santarém, as obras têm um prazo de 90 dias.

O maciço da barragem de Santarém – que é o corpo principal – está preservado, segundo a mineradora. Porém, há danos na crista – o ponto mais alto – e em parte da estrutura do vertedouro, estrutura que permite a saída de água.
Danos na barragem de Santarém
Nesta segunda-feira (16), a Samarco afirmou que, diferentemente do que havia informado no dia 5 de novembro, quando disse que duas barragens entraram em colapso, a barragem do Fundão foi a única a se romper.
Segundo a mineradora, houve “galgamento” na barragem de Santarém, ou seja, ela transbordou com os rejeitos da barragem de Fundão, mas “o maciço remanescente está íntegro mesmo estando parcialmente erodido”.

O engenheiro especialista em barragens Joaquim Pimenta de Ávila explicou ao G1 que isto significa que Santarém está com capacidade menor de retenção porque está mais baixa. “Ela não se rompeu. Para falar que houve rompimento teria que ter levado tudo. Tem muito rejeito lá ainda. Está cheio de lama”, disse. O engenheiro falou que sobrevoou as barragens.

Nesta segunda-feira, a mineradora havia afirmado que uma intervenção definitiva para reparar os danos está na etapa de estudos de engenharia para escolha da melhor alternativa.

A terceira barragem do complexo, a Germano, tem trincas decorrentes do rompimento da barragem de Fundão, conforme a Samarco. “A estrutura principal da barragem de Germano está preservada. As estruturas auxiliares e as trincas observadas, decorrentes do rebaixamento do reservatório de Fundão, estão sendo monitoradas de maneira intensa e permanente”.

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