9 de junho de 2015

Ex-prefeita de Natal, Micarla de Sousa, chora em depoimento na Justiça Federal

Micarla chorou em depoimento da Operação Assepsia - imagem TV Cabugi

A ex-prefeita de Natal, Micarla de Sousa, chorou em depoimento da Operação Assepsia, que investiga um esquema de fraudes em licitações e desvio de recursos públicos na gestão da saúde em Natal durante 2012. Outros oito réus foram ouvidos pela Justiça Federal nesta segunda-feira (8). Micarla chegou por volta das 20h e evitou falar com a imprensa.

Na sala de audiência, ela entrou acompanhada da mãe, do namorado e do advogado de defesa. A ex-prefeita iniciou o depoimento falando dos problemas de saúde e de três acidentes vasculares que comprometeram a sua memória. Mesmo assim, ela explicou estar com documentos, reportagens de jornais da época e com disposição para ajudar a esclarecer as denúncias investigadas na Operação Assepsia.

Micarla de Sousa negou qualquer ato de corrupção cometido por ela e disse que não tinha conhecimento de irregularidades nos processos de licitação e gestão das UPAs e das AMEs. Ela destacou também que a contratação de organizações sociais para administrar esses serviços de saúde foi considerada legal pelo Tribunal de Justiça do estado. Micarla ainda informou que confiava nos secretários e assessores, mas depois do escândalo, se sentiu traída pelos auxiliares.

Sobre as declarações da testemunha Regina Mota, ex-controladora do município, que disse ter alertado a então prefeita sobre a corrupção de alguns secretários, Micarla disse que estranhou a atitude de Regina e comentou que a ex-controladora até continuou no mesmo órgão, no cargo de consultora.

Na parte final do depoimento, questionada se depois que saiu da prefeitura Micarla teve aumento no padrão de vida, ela chorou e explicou que enfrentou uma diminuição no patrimônio da família. “Fui eu que, lá quando meu pai tava morrendo, disse que ninguém iria tocar na TV, ninguém iria tocar no patrimônio da minha família. E depois que eu saí da prefeitura, foi esse patrimônio que teve que ser vendido. 

Se eu fosse essa ‘bandida’ que foi colocado, por que minha família precisaria fazer isso? Não existe possibilidade. Eu moro na mesma casa, eu tenho um carro que foi minha mãe que me deu. Meus filhos me perguntam ‘mãe, por que eles te chamam de ladra se a gente passou tudo que a gente passou?’ É isso que acontece”, disse Micarla.

Fonte: G1/RN
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