19 de março de 2015

Isolamento de retirantes em “campos de concentração” marcou secas no Ceará

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Os longos períodos de estiagem no Sertão nordestino vieram, durante muitos anos, acompanhados da figura do retirante. Em geral, famílias inteiras se deslocavam em direção às capitais, fugindo das consequências da seca. 

No Ceará, essa dinâmica provocou intensas mudanças em um estado que era essencialmente rural no início do século 20. Dois marcos históricos mudaram as condições de sobrevivência do retirante que vai para a cidade, especialmente Fortaleza, em busca de melhores condições de vida: a Grande Seca de 1877 e a criação da Inspetoria de Obras Contra as Secas (Iocs).

O historiador José Weyne, professor da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), explica que a seca de 1877 fez surgir um projeto político que usava os retirantes como mão de obra para a realização de obras públicas. “A intenção era tentar equiparar o Ceará com o Centro-Sul em termos de progresso. Foram construídas pontes, igrejas, escolas. 

Com a seca e o sertanejo disponível para o trabalho, passou-se a usar a mão de obra como contrapartida ao socorro prestado pelo governo aos retirantes. Então, era importante que eles migrassem.” O projeto foi chamado de Pompeu-Sinimbu por conta dos nomes dos agentes políticos responsáveis por elaborá-lo e executá-lo: senador Pompeu e Visconde de Sinimbu.
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