17 de fevereiro de 2015

Bloco "Os Cão" atrai multidão na Redinha


Revestir o corpo inteiro com lama retirada do manguezal, adicionar indumentárias exóticas e caminhar em procissão pelas ruas sob um calor de quase 30 graus. Descrevendo dessa maneira, parece que estamos falando de um ritual religioso, cujos seguidores cumprem penitências. No entanto, ocorre justamente o contrário no dia de hoje (17), terça-feira de carnaval, no bairro da Redinha, em Natal.

O bloco "Os Cão”, um dos mais tradicionais da cidade, segue com seus enlameados carnavalescos há 51 anos divertindo e chamando atenção de curiosos pelo trajeto. Dezenas de pessoas seguem até a beira do mangue, “vestem” as fantasias e caem na folia pelas ruas do bairro. Nesse ano a expectativa é que sejam cerca de 10 mil integrantes.

CASAL-PANICO

Entre tantos “trajes” semelhantes, alguns tentam adicionar mais irreverência para se destacar na multidão. Um exemplo foi o “casal pânico”. O policial militar Marcos Antônio e sua esposa Lenice Maria, segurança patrimonial, incorporaram os personagens e não se desfizeram da fantasia nem para dar entrevista. Os dois contam que trabalham em Recife-PE, mas sempre retornam à Natal nesse período para participar da brincadeira. “Trabalhamos em Recife, mas todo ano a gente vem. Há dez anos que nos melamos e nos divertimos aqui”, conta.

CAVALO-H

Nem mesmo os bichos escapam da “cobertura” de lama. Cachorros e animais de montaria também recebem a mistura de terra e água oriunda do Rio Potengi. O carroceiro Givanilson Farias, montado em seu cavalo “Diamante”, revela que participa do bloco desde a infância. Já seu animal, está pela terceira vez. Brincalhão, Givanilson relata a transformação sofrida pelo cavalo para acompanhá-lo no bloco. “É a terceira vez que trago ele. Ele é todo branco, sem nenhuma mancha preta, mas hoje está diferente”, brinca.

ESTRA-H

Existem também os integrantes de primeira viagem. A estudante japonesa Uta Ishikawa, comenta que faz um ano que mora no Rio Grande do Norte e resolveu trazer os familiares para conhecer a cidade e o bloco. Animados, a família estrangeira posa para a foto e, ao que parece, gostaram da inusitada diversão. “Eu moro aqui no Rio Grande do Norte há um ano, é a nossa primeira vez. Trouxe a família para conhecer, estamos gostando”, disse a estudante com seu português repleto de sotaque.

FAMI-H

Outro folião que participa pela primeira vez é o pequeno David, de apenas dois anos. Junto com seus pais, William Júnior e José Fernandes, eles estrearam no bloco devidamente caracterizados e prometem voltar nas edições seguintes. “A primeira vez que estamos brincando, trouxemos nosso filho David. Estamos gostando, está tranquilo, sossegado. Próximo ano, se Deus quiser, estaremos de novo”, explica o pai do garoto.

FOLIA-H

Os foliões que apenas observavam mas não queriam se sujar, o clima era de tranquilidade. A harmonia entre os integrantes e o respeito aos espectadores é consenso no grupo. Na concentração próximo à Ponte Newton Navarro, uma faixa lembra o espírito dos integrantes: “Cão que é cão não mela folião”.

O bloco percorreu as ruas da praia da Redinha com irreverência e muita lama. 

Flávio Oliveira No minuto
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