30 de setembro de 2014

Nova técnica chamada Argus 2 promete curar problema de visão. 'Hoje vejo com olhos biônicos'

Fran Fulton, de 66 anos, tem cegueira total há dez anos. Mas há algumas semanas tudo mudou em sua vida.
Fran Fulton, de 66 anos, tem cegueira total há dez anos. Mas há algumas semanas tudo mudou em sua vida.

Fran Fulton. Foto: cortesia da família
Fran Fulton (de azul, no centro) recuperou parcialmente a visão

Cirurgia. Foto: cortesia
A cirurgia é simples para o paciente, que volta para casa no mesmo dia

Fulton sofre de uma doença chamada retinite pigmentosa – um mal degenerativo que lentamente provoca a morte de células sensíveis à luz na retina. Ao longo de vários anos, ela perdeu sua visão aos poucos. Nos últimos dez, ela não via absolutamente nada.

Mas em julho passado, Fulton foi receptora de um sistema chamado Argus 2. Trata-se de um par de óculos equipados com câmeras e ligados a eletrodos que são implantados aos olhos. Esse sistema conduz informações visuais a seu cérebro.

Com essa tecnologia, ela agora é capaz de ver o mundo novamente. Como é essa experiência?

"Quando eles 'ligaram a minha visão', foi uma experiência absolutamente incrível", conta Fulton. "Eu estava tão emocionada e exaltada, que meu coração começou a bater muito rápido, e eu tive até que botar a mão no peito, porque achei que o coração ia saltar para fora."

Tecnologia inovadora
As tecnologias de câmeras e o conhecimento humano sobre nosso sistema visual estão evoluindo, e com isso novas técnicas contra a cegueira estão progredindo. Aparelhos como o Argus 2 "driblam" olhos danificados e restauram pelo menos parcialmente a sensação de visão.

A tecnologia não é perfeita, a restauração do sentido de visão é apenas parcial. Além disso, apenas seis pessoas nos Estados Unidos estão usando o Argus 2. Mas pesquisadores acreditam que, com o que estão aprendendo agora, poderão ajudar mais pessoas no futuro.

O Argus 2 é composto por três partes: um par de óculos, uma caixa de conversão e um conjunto de eletrodos. Os óculos não possuem nenhum grau – eles são apenas um veículo para segurar as câmeras. Essas câmeras não são muito mais sofisticadas do que as usadas por smartphones.
A imagem da câmera é transmitida para a caixa de conversão, que pode ser carregada no bolso. Esta caixa envia sinais ao conjunto de eletrodos que estão implantados na retina do paciente.

Robert Greenberg é diretor da empresa Second Sight, que desenvolveu o Argus 2. Ele explica que o olho humano é como um "bolo com várias camadas".

Em uma camada estão as células sensíveis à luz, chamadas de "bastonetes" e "cones", que fazem a conversão da luz em informação visual. Em pessoas com retinite pigmentosa, essas células estão mortas.

"Estamos passando por cima destas células mortas e indo direto à próxima camada do bolo", explica Greenberg. O processo de conversão da informação da câmera para os eletrodos implantados no olho foi tema da tese de doutorado do diretor da Second Sight.

BBC Brasil 
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